14 de Maio de 2015

Os três C´s do talento pessoal ao serviço da carreira: Valores Fundamentais de Jack Welch

GALILEU-MiguelCoelho

Jack Welch é considerado por muitos como o melhor gestor de todos os tempos, e é seguramente uma marca. Com 20 anos de percurso à frente da General Electric, construiu uma reputação memorável no meio empresarial mundial como gestor temperamental e com total foco na geração de valor para os accionistas, sabendo utilizar metodologias de personal branding para gerir o seu potencial de marca, a sua carreira e a dos colaboradores mais próximos. Face ao momento atribulado e sem valores sociais que correm a sua postura é uma referência. Ainda hoje, com Jeff Immelt à frente da empresa, Jack é ainda a referência moral de uma empresa gigante como é a GE e… O seu trabalho a gerir pessoas e carreiras passou em muito por aplicar a todos os três C´s base de uma marca pessoal: sermos propostas claras de diferenciação, sermos consistentes na mensagem que transmitimos e sermos constantes na promessa de valor que entregamos.

Como ele próprio conta com vários casos na sua autobiografia “Jack – Straight from the Gut”, no caso de não entregarmos a nossa promessa de valor… os ânimos são capazes de se exaltar! Jack Welch sempre foi um líder temperamental e emocional, ajustado ao seu tempo, mas as emoções nunca lhe bloquearam a visão analítica e racional do que importa trabalhar nas pessoas e nos talentos.

O que podemos aprender para as nossas carreiras com o Jack? Quais os C´s que Jack Welch procurava nas suas pessoas? Vamos ver abaixo com alguns exemplos nacionais:

  1.  Clareza. Deve ser perceptível o que é o nosso talento pessoal – e também o que não é nem nunca vai ser.
    Exemplos podem ser a estilista Fátima Lopes no mundo da moda ou o treinador Tomaz Morais no desporto, em particular no râguebi. Ambos os talentos querem afirmar-se como a referência principal nos respectivos domínios. Têm um propósito claro e inequívoco. Fátima Lopes têm uma missão clara e distintiva na sua carreira profissional: ser o símbolo e a referência principal da moda em Portugal, projectando o que se faz cá dentro para todo o mundo. E ninguém tem dúvida da sua determinação em conseguir alcançar os seus objectivos…
  2. Consistência. A promessa de valor de cada talento é sólida e coerente, pessoal e profissionalmente, com as mensagens enviadas, quer se trate de clientes, amigos ou colaboradores.
    Essa consistência é a prova de fogo da marca pessoal ao longo do tempo, mesmo em condições adversas. Um exemplo do mundo do futebol pode ser o conhecido Luís Figo, que actuou sempre ao mais alto nível nos clubes onde passou e agora protagoniza uma candidatura ao órgão máximo do futebol. Algumas organizações sempre lhe deram um lugar de destaque no mundo empresarial quando este decidisse terminar a sua carreira de desportista… parece que estavam mesmo a adivinhar. A sua marca pessoal arrasta milhares de pessoas e, certamente, muitos milhões de euros. E assim se vê o valor de podermos construir uma carreira com valores fortes.
  3. Constância. Os valores associados ao talento pessoal raramente mudam e estão sempre acessíveis e visíveis.
    Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome em Portugal, tem sido uma pessoa de referência na organização de organizações sem fins lucrativos no nosso país. Pode ter tido alguns contratempos públicos mas a sua força e a sua capacidade de organização, articulada através dos milhares de voluntários que se associam a causas nobres, e a sua constante presença nos meios de comunicação e nas “ruas” fazem dela um exemplo de estabilidade e constância que admiro muito e que continuo a considerar como do melhor que temos em Portugal. A marca pessoal Isabel Jonet significa disponibilidade e dedicação organizada e profissionalismo ao serviço de causas nobres.

Termino com uma referência ao nível de outros três C´s que certamente fariam as delícias do Sr. Jack Welch. Refiro-me à genial determinação da “não atleta” Maria da Conceição, que corre e supera obstáculos por amor às famílias carenciadas no Bangladesh. O que tenho visto dela aplica-se a qualquer carreira e a qualquer percurso notável… superou o Everest sem ter nenhuma capacidade extraordinária para o fazer, apenas movida pelo desejo de construir um futuro melhor para as suas famílias de abrigo. Corre por paixão e pela paixão da sua causa maior. Neste momento está a preparar um Triatlo Ironman sem ter ainda grande talento em natação e em ciclismo mas olha para a prova com a confiança de quem vai vencer!!! Para ela estão reservados outros três C´s : Coragem, Capacidade e Campeã de Vida… os nossos talentos merecem mais atenção e visibilidade porque o que é bom merece ser celebrado!

Por R. Miguel Coelho
Director e Fundador da PersonalBrands© Portugal
Docente Fast Track MBA GALILEU