3 de Julho de 2020

COVID-19: CEO do ano? – Game Changer

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Independentemente da dimensão das organizações, do seu maior ou menor carácter inovador, do seu posicionamento ou cultura enraízada, a verdade é que de uma ou outra forma, todos nós fomos afetados pelo surto de COVID-19. Obrigatoriamente, isso levou muitos de nós a mudar a forma como trabalhamos e a nos adaptarmos a uma mudança repentina nos comportamentos dos elementos da equipa, fruto do contexto vivido.

O surto de COVID-19 mostrou-nos de forma clara o quão rapidamente a vida pode mudar. Um dos maiores impactos foi causado na forma como trabalhamos, bem como ao nível e tipo de suporte que os nossos colaboradores, clientes e restantes stakeholders precisam de nós.

Também a nível pessoal a nossa vida sofreu profundas alterações. Desde novas rotinas diárias que foram criadas, ritmos e horários de trabalho distintos, capacidade de manter a disciplina e o procurar de um constante equilíbrio entre vida familiar e desempenho profissional.

Organizações inteiras adotaram rapidamente uma infraestrutura de trabalho remota, garantindo que aqueles que têm a capacidade de trabalhar em casa possam fazê-lo. Muitos foram bem sucedidos, enquanto outros ainda estão a vivenciar as dores da mudança, não escolhida mas imposta.

Então, qual é a melhor resposta para o contexto atual? Como mudamos o nosso comportamento e as nossas rotinas com o menor impacto possível na nossa capacidade de produzir e entregar resultados? E qual o papel do líder em todo este cenário?

Ficam algumas sugestões.

Em primeiro lugar, o líder deve educar-se a si mesmo. Isto significa que deve ter uma visão realista daempresa e do mercado e não viver o mundo dos outros. Ter distanciamento emocional em relação às constantes notícias, muitas vezes contraditórias, é crítico nesta fase.

A empresa e as equipas precisam de alguém que saiba mostrar o caminho, e esse caminho tem de ser traçado tendo uma base sólida e factual.

Deverá igualmente encarar a realidade e reconhecer que aquilo que era a semana passada ou mesmo ontem, hoje poderá já não o ser. Ser flexível, adaptável e ter a capacidade para tomar decisões difíceis são fatores fundamentais.

A cultura da empresa é o maior ativo que a mesma possui e é ao líder que cabe o papel de ser guardião da mesma. Vivemos no mundo em que tudo muda rapidamente e a inovação de processos, produtos e serviços ocorre a uma velocidade estonteante em que muitas vezes uns servem de inspiração para os outros. Mas nada nem ninguém poderá copiar uma cultura forte e enraízada em valores fortes, mostrando a todos o que é realmente importante.

O líder não deve perder a oportunidade de aprender com a crise e alavancar as capacidades da sua equipa. Não
deve tentar ser um super-herói. Uma equipa define-se por isso mesmo:interdependência, todos dependem de todos, e o líder assumir a sua vulnerabilidade é um enorme ato de coragem. Deve reunir a equipa para garantir o alinhamento dos planos, prioridades e contingências, envolvê-los no planeamento desses cenários, fazê-los sentir parte da solução.

Investir em comunicação. Nunca nenhum líder foi acusado de comunicarem demasia de forma clara e realista, deverá igualmente fazê-lo de forma otimista, mostrando a toda a equipa e organização que num futuro próximo todos irão tirar proveito dos ensinamentos a retirar desta fase e que os irão tornar ainda mais fortes e unidos.

Deverá encontrar novas formas de comunicar e de se fazer sentir presente nos momentos importantes, este é e sempre foi o maior dos líderes. Esta é uma boa altura para todos nos colocarmos em causa e definir o que podemos melhorar para comunicar melhor, para fazer passar de forma mais eficaz as nossas ideias, pensamentos, sentimentos e emoções.

Planear a recuperação agora, seja positivo e aproveite novas oportunidades. Enquanto estamos nas profundezas da crise, às vezes pode ser difícil manter uma atitude positiva, principalmente porque a duração e a gravidade da crise não podem ser previstas. No entanto, todos os líderes devem reconhecer a importância da positividade, tanto em termos de manutenção do moral quanto de garantir a melhor e mais rápida recuperação possível após a crise. Isso não significa falso otimismo e negação de realidades, mas sim reconhecer que, embora a crise não termine rapidamente, ela não durará para sempre.

Nada será igual mas nem tudo será diferente.

Mas seguramente que ter as pessoas certas, no lugar certo a fazer as coisas certas e saber lidar com as pessoas são e continuarão a ser sempre pilares fundamentais na vida de um líder.

 

GALILEU Formador Paulo Ferreira Galileu

Paulo Ferreira

Speaker, formador e consultor
Artigo retirado da Edição Especial da Game Changer – Teletrabalho

 

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