10 de Setembro de 2020

A Pandemia da Informação – Game Changer

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A atual situação de pandemia exige muito cuidado da nossa parte no acesso à informação, bem como a consciencialização e responsabilização pelos nossos comportamentos. Quanto mais informação cada um de nós colocar na sua mente, mais fica sujeito a um maior cansaço mental. Por outro lado, essa mesma informação, de acordo com a sua natureza, poderá gerar estados mentais mais positivos e optimistas ou negativos e pessimistas em cada pessoa. A informação que procuramos e a que temos acesso, acaba por interferir na produtividade de cada pessoa e na gestão do seu dia a dia. Cabe a cada um de nós saber fazer uma gestão cuidada e criteriosa.

Hoje em dia a informação a que temos acesso, que recebemos e com que temos de lidar é muito maior do que nas últimas décadas.
Com a situação de pandemia, vivida nos últimos meses, o fluxo de informação é ainda mais elevado, com a particularidade que existe excesso de informação, desinformação, novas informações a toda a hora, informações com carácter científico com diferentes conclusões, teorias da conspiração e uma grande dificuldade em encontrar fontes fidedignas ou um único canal de informação em que se possa confiar totalmente. Tudo isto, faz com que atualmente um dos fatores causadores de maior ansiedade seja o excesso de informação.

Se por um lado precisamos de estar bem informados, por outro, não deveremos estar ávidos de informação, mas procurar fontes confiáveis, estabelecendo um ou dois momentos do dia para estarmos informados, como garante de algum equilíbrio mental para nós próprios e para quem nos rodeia. Quanto mais informação estiver armazenada na nossa mente, maior cansaço mental estaremos sujeitos. É, por isso necessário desligar de toda a informação disponível e termos noção que a procura e própria receção de
informação pode ser controlada por nós próprios. Deveremos então assumir responsabilidade pelos nossos comportamentos na procura de informação, sabendo de antemão que a informação que entra na nossa mente influencia o nosso estado e este irá influenciar os nossos resultados/produtividade no dia a dia.

Isto é, as informações mais negativas conduzem tendencialmente a estados emocionais menos positivos, enquanto que informações positivas, construtivas e inspiradoras poderão proporcionar estados emocionais tendencialmente mais positivos e otimistas, a nós e a quem nos rodeia.

É também muito importante ter em conta que a qualidade é muito mais importante que a quantidade e que deveremos sempre analisar as informações de diferentes perspetivas, mas também ter a coragem de eliminar tudo aquilo que não se enquadra na realidade de cada um e admitirmos para nós próprios que é humanamente impossível saber tudo e de tudo.

O conceito de sobrecarga de informação, também conhecido por Síndrome por Fadiga de Informação (SFI), surgiu em 1970 com Alvin Toffler, e ocorre quando estamos sujeitos a um excesso dos meios de comunicação, tecnologia e informação com que lidamos nos
nossos dias. Refere-se à nossa incapacidade de absorver e processar toda a informação que recebemos de forma eficiente, quer dizer que excesso de informação gera mais confusão mental, não significando necessariamente que poderemos estar mais aptos a tomar melhores decisões ou que estamos mais bem informados, até porque o nosso cérebro tem maior dificuldade em manter-se ativo com toda a informação recebida e processada.

O resultado pode mesmo ser o esgotamento físico e psicológico (manifestado maioritariamente por dores de cabeça constantes, mas também perdas de memória), que pode conduzir à tomada de decisões erradas e a uma menor produtividade da nossa capacidade laboral. As soluções para ultrapassar esta questão ainda que relativamente simples podem implicar abandonar rotinas e hábitos enraizados que não estão a contribuir para a nossa saúde mental, como definir limites para o acesso à informação, estabelecer regras para a utilização do tempo em regime de teletrabalho, que para além das tarefas diárias de trabalho, deverão incluir necessariamente momentos de lazer e de descanso, incluindo algum tipo de atividade física. Mais do que a constatação da nossa parte que é necessário fazer algo, é passarmos  à prática e ação, com um plano de reduzirmos substancialmente as fontes de informação e o tempo dedicado ao acesso à informação.

Uma técnica relativamente simples é a técnica dos 4 filtros, aplicada individualmente por cada pessoa e que pode permitir passar de um estado de sobrecarga de informação para uma gestão de informação mais cuidada:

1- Ignorar
2- Ler/ Ouvir/ Ver
3- Guardar
4- Descartar

Em suma, cabe a cada um ignorar pura e simplesmente informação que sabe antecipadamente (ou mesmo no próprio momento) que não vale a pena ler/escutar/olhar, ou então envolver-se nesse tipo de informação mas de uma forma adequada, com um olhar crítico, escolhendo se vale a pena olhar/escutar/ver (naquele momento ou mais tarde), o que não implica descartar completamente se concluir
que afinal aquela informação não é útil. Neste caso, tome atenção à sua intuição e à sua voz interior, dado que são duas poderosas ferramentas ao nosso dispor.

Fica a sugestão que durante este período, cada um possa aproveitar para investir tempo no seu desenvolvimento pessoal de forma controlada, ler, assistir a webinars, ter formação, adquirir conhecimento em diversas áreas do seu interesse entre outras sugestões, mas de uma forma criteriosa.

Cuide de si e dos seus. O bem-estar de todos é essencial.

Sónia Diz
Formadora Profissional
Artigo retirado da Edição Especial da Game Changer – Teletrabalho

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